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Ciência e Tecnologia: Aliadas da Investigação Criminal


Ao longo dos anos, a evolução da ciência e da tecnologia tem transformado a investigação criminal através da disponibilização de uma extensa panóplia de recursos que facilitam a identificação, apreensão e condenação de criminosos. De modo a realçar o impacto destas ferramentas nos processos utilizados para a resolução de casos criminais, torna-se importante embarcarmos numa viagem no tempo.

Na segunda metade do século XIX, o telégrafo e o telefone vieram substituir os meios de comunicação rudimentares que se encontravam à disposição das forças policiais. Nesta altura, foi também desenvolvido e adotado o sistema de Bertillon, concebido com o intuito de identificar criminosos através das medidas de diversas partes do corpo. Até então, estes eram identificados apenas pelo seu nome e fotografia.

Com a chegada do século XX, apareceu o sistema de impressões digitais que acabou por substituir aquele que tinha sido edificado por Bertillon. Para além disso, começou também a ser utilizada a perícia forense de escrita manual, bem como o polígrafo, os automóveis e os rádios bidirecionais.

O surgimento dos computadores nas esquadras, na segunda metade do século XX, revolucionou a gestão da informação da polícia. O armazenamento desta, em bases de dados, possibilitou a condensação da informação de todas as esquadras num único local, permitindo um acesso imediato à mesma por qualquer agente, independentemente da sua localização geográfica. Nesta altura, começaram também a ser utilizadas as câmaras de segurança. Em 1985, a análise do ADN encontrado na cena do crime foi acrescentada ao catálogo de aplicações da ciência forense na investigação criminal, juntando-se às autópsias, toxicologia, entre outros.

Desde então, a evolução científica e tecnológica continuou a quebrar barreiras. Atualmente, existe uma infinidade de recursos a serem empregues na resolução de casos criminais, sendo um deles os drones, a partir dos quais é possível visualizar áreas de difícil acesso. Além destes, são também utilizados sistemas de deteção de tiros, implementados estrategicamente em locais que registam uma elevada taxa de criminalidade e sistemas de reconhecimento automático de matrículas. Estes últimos, usam câmaras posicionadas dentro dos carros dos agentes que testam automaticamente todas as matrículas detetadas.

Uma das novas metodologias que promete revolucionar a investigação criminal é a genealogia genética. Resumidamente, esta combina a testagem de ADN com o estudo da origem e descendência de famílias, de modo a identificar suspeitos. O processo começa pela recolha e tratamento do material genético encontrado na cena do crime, criando um perfil genético. Em seguida, este é inserido em bases de dados de ADN públicas de forma a encontrar membros da família do autor do crime. Conseguindo uma correspondência, é construída a árvore genealógica da família, através de certidões de nascimento e óbito, censos e redes sociais, culminando na identificação de um suspeito.

Em 2019, este processo foi utilizado pela primeira vez nos Estados Unidos na esperança de desvendar casos arquivados. O caso do Golden State Killer foi um dos primeiros no qual foi aplicado este método, resultando na apreensão do assassino em série mais de 40 anos depois de este ter feito a sua primeira vítima! Apesar de promissor, este recurso levanta diversas preocupações em relação à privacidade de dados.

A tecnologia e a ciência prometem continuar a expandir horizontes. Uma das perspetivas para o futuro é a integração da inteligência artificial no kit dos investigadores. Esta poderá encarregar-se de tarefas demoradas e desgastantes para o ser humano, como a análise de filmagens e fotografias e executá-las de um modo rápido e eficiente. A este ponto, o céu é o limite!