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O futuro dos eSports


Os eSports, com um crescimento exponencial de popularidade ao longo dos últimos anos, vêm para ficar. Recorde-se a absurda audiência do videojogo League of Legends que, em 2018, atingiu, nada mais nada menos, do que uma audiência de 60 milhões de pessoas. Compare-se este valor com os 342 milhões de espectadores que, em 2016, assistiram à cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e longe vão os tempos em que estas grandezas eram incomparáveis. Fruto disso, debate-se cada vez mais a inclusão dos mesmos nos próprios Jogos Olímpicos.

Num mundo em que os prémios de vitória dos grandes torneios de eSports continuam a crescer, é agora natural ver jogadores profissionais, muitas vezes muito jovens, competirem ao mais alto nível, progressivamente em palcos maiores. Levanta-se a questão, qual é o impacto deste novo mundo em que os jovens passam a idolatrar os intervenientes de um jogo de computador? Certamente que estes desportos exigem dos jogadores um conjunto elevado de habilidades, semelhante ao de um desporto tradicional, mas estarão os valores nobres que fazem dos desportos tradicionais tão gratificantes e educativos presentes nos mais novos? Conseguiremos aplicar valores de inclusão, relações humanas, igualdade de oportunidades e trabalho em equipa neste novo formato ou traremos na nova geração um sedentarismo inerente? As dúvidas são muitas e a incerteza instala-se neste tópico.

Atualmente, o desenvolvimento dos eSports tem passado por uma desmistificação dos preconceitos que existem sobre o desporto, assim como o contínuo processo da sua profissionalização e a criação de sindicatos de jogadores. Provavelmente fruto do modo de vida da sociedade atual, também estes jogadores sofrem bastante, especialmente devido à volatilidade desta indústria. Neste ecossistema, raros são os casos de sucesso a longo prazo, passando quase sempre por picos de sucesso e popularidade e caminhando, mais tarde, para o esquecimento. Assim acontece também com os grandes publicitários deste mundo dos videojogos, os criadores de conteúdo audiovisual. Haverá sempre um jogo melhor, mais divertido, mais competitivo. A reação a esta mudança é exigente, o sucesso não dura para sempre e quem está “na moda” geralmente prevalece. Daí a dificuldade deste modo de vida, onde ou se chega ao topo ou se vive de forma atribulada.

Mas nem tudo é mau, aliás, este fenómeno global traz consigo ideias revolucionárias e não é difícil encontrar os aspetos positivos neste ambiente. Se a facilidade de competir com qualquer pessoa, independentemente da sua localização geográfica não for suficiente, encontraremos vantagens de igual ou maior valência noutros campos. Mas é esta que faz dos eSports tão populares e com uma audiência tão massiva. Esta popularidade não passa ao lado de ninguém e não faltará muito para se incluírem, sobretudo no modelo universitário norte-americano, bolsas de estudo relacionadas com diferentes desportos online. Apesar de ser algo inusitado na mente de um cidadão comum, é importante realçar que o que faz de um desporto relevante é a sua popularidade e é o que torna fácil de explicar os grandes apoios em desportos como o futebol, basquetebol ou futebol americano.

Outros grandes movimentos vão se infiltrando nesta indústria com popularidade crescente. Quer seja o futuro do móvel no mundo dos jogos ou os problemas que advêm da inexperiência dos jovens competidores, que cedem muitas vezes à pressão, levando a escândalos, especialmente indesejáveis quando falamos em desportos que são maioritariamente assistidos por outros jovens, ainda em formação. No fundo, como se irá desenrolar o desenvolvimento dos eSports é ainda um assunto envolto em névoa, mas algo é já dado como certo: eles vêm para ficar.